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Parceiros comunicativos na promoção das competências de comunicação e linguagem da criança

O desenvolvimento da criança acontece ao longo do tempo, nos contextos naturais e com as pessoas com quem a criança apresenta uma relação privilegiada, principalmente a sua família. O desenvolvimento da comunicação não é excepção. A literatura refere que as características da criança, influenciam os seus parceiros comunicativos. Assim, crianças socialmente mais responsivas, com um comportamento mais previsível, que mostram ser mais ativas e mais predispostas para a interação, são crianças que são expostas a mais oportunidades de promoção das competências comunicativas, pois geram no adulto maior iniciativa para a interacção ou um maior número de respostas.

Sabe-se também que crianças com desenvolvimento atípico, podem apresentar padrões atípicos na interação e na comunicação, aumentando o desafio para a família de se tornarem parceiros comunicativos eficazes, colocando em risco o desenvolvimento da criança nesta área.

Numa altura em que se assiste a um aumento exponencial da procura da consulta de terapia da fala para crianças em idades mais precoces, com alterações no desenvolvimento da comunicação, linguagem e fala, surge a necessidade de reflectir sobre o papel dos parceiros comunicativos como promotores nesta área do desenvolvimento.

O terapeuta da fala deve fazer uma avaliação exaustiva das competências da criança, mas também dos padrões de comunicação dos cuidadores mais próximos. A sua intervenção deve focar a criança e a expansão do conhecimento dos seus parceiros comunicativos (nomeadamente a família) sobre o desenvolvimento da linguagem e capacita-los na utilização de estratégias que lhes permitem ser o mais eficazes na comunicação com a sua criança.

O profissional deve ajudar os pais/cuidadores a compreender como o seu filho comunica, o que o seu filho comunica e sobre o que o seu filho comunica; como converter rotinas diárias em oportunidades para aprender a comunicar-se; como comunicar com o seu filho para que ele o compreenda; como ajudá-lo a desenvolver através do brincar; como ajudar o seu filho na interação com outras pessoas. Deve ainda envolvê-los na escolha de estratégias de comunicação eficazes para a criança e que, para si, enquanto parceiro comunicativo privilegiado, sejam também confortáveis de usar.

Quanto maior a qualidade das transações entre a criança e a sua família, bem como das experiências proporcionadas à criança, melhor será o desenvolvimento global desta e, em específico, melhor será a qualidade das suas competências comunicativas, quer o seu desenvolvimento seja típico ou atípico.

Rita Cruz
Terapeuta da Fala
CERCIAG / CISensori
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